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A situação de emergência decretada pelo governador Carlos Moisés impôs restrições à circulação de pessoas e às atividades econômicas para evitar a propagação da Covid-19. Somente serviços essenciais para a população estão mantidos, como alimentação, saúde e fornecimento de água e energia. Confira alguns pontos dos decretos 515, 521 e 525, além da portaria publicada em 18 de março.

A partir do dia 1º de abril, está programada uma retomada gradual de alguns setores, seguindo o Plano Estratégico para a Retomada das Atividades Econômicas em Santa Catarina. O objetivo é garantir a segurança sanitária, jurídica e econômica.

Tire suas dúvidas também quando às recomendações e medidas de prevenção e combate ao novo coronavírus (Covid-19) no site oficial do Governo de Santa Catarina: CLIQUE AQUI.
Centrais sindicais criticam medida do governo e sindicalistas pedem interlocução com o parlamento. "Congresso deve assumir protagonismo e barrar MP 927"


Cruel, escandalosa, macabra são alguns dos adjetivos usados pelas centrais sindicais para definir a Medida Provisória divulgada ainda ontem (22) pelo governo, com direito a recuo na tarde desta segunda-feira – a MP 927. "Chega a ser surreal pensar que um presidente da República possa agir de maneira tão discriminatória e antissocial, jogando nas costas dos trabalhadores mais fracos e mais pobres todo o ônus desta delicada crise que atravessamos", afirmam os dirigentes, em nota lançada após reunião virtual.

Assim, em vez de "comportar-se como um estadista", Jair Bolsonaro edita uma medida "macabra", que autoriza demissões e corte unilateral de salários, sem regular a proteção aos trabalhadores em serviços essenciais. "Pior que isso, retira a contaminação por coronavírus como acidente de trabalho, o que é particularmente cruel com estes trabalhadores e os trabalhadores da saúde, além de uma longa lista de maldades."

Mesmo a revogação do artigo que fala em suspensão de contratos por até quatro meses, após "forte repercussão negativa", não é suficiente, afirmam as centrais. Elas reivindicam que o Congresso "devolva imediatamente" a MP ao governo, para então formar uma "Câmara Nacional de Gestão da Crise", com representantes de trabalhadores, empresários e poder público,"para combater a pandemia com medidas justas e sociais, garantindo emprego e direitos dos trabalhadores".


"MP da morte"

Ainda antes da reunião virtuais, dirigentes já haviam se manifestado contra a MP 927. É a "medida provisória das morte dos trabalhadores", disse, por exemplo, o presidente da CUT, Sérgio Nobre, em vídeo nas redes sociais. "É a demonstração de que Bolsonaro não tem a menor competência, o menor compromisso com o povo brasileiro, muito menos com a classe trabalhadora", afirma. Para ele, é uma medida "encomendada pelos empresários" e que aprofunda o processo de retirada de direitos, impondo acordos individuais e excluindo sindicatos.

"É o oposto do que o mundo tem feito para enfrentar essa crise", acrescenta Sérgio Nobre, lembrando das iniciativas de vários governos para enfrentar o coronavírus. "Quem enfrenta a crise não é o mercado, é o Estado."

Segundo ele, no momento em que não se pode colocar trabalhadores nas ruas para protestar, é preciso apoiar as manifestações que vêm ocorrendo de forma virtual e nas residências, como "barulhaços". "A edição dessa MP mostra que não temos governo no momento mais dramático da história do nosso país. Enquanto o governo estiver de pé, não há saída para a crise", criticou Sérgio Nobre.


Comitê de crise

Ele observa que acordos coletivos ainda protegem trabalhadores organizados, mas é preciso pensar, principalmente, em medidas voltadas aos mais vulneráveis, como os autônomos. As centrais sindicais já apresentaram ao parlamento uma proposta de programa de transferência de renda e de formação de um comitê de gerenciamento da crise.

De acordo com o presidente da CUT, funcionários do setor de saúde "estão heroicamente trabalhando porque sabem seu papel", mas denunciam falta de praticamente tudo nos locais de trabalho. Ele considera importante ainda discutir, emergencialmente, a "reconversão do parque produtivo", para fabricar itens necessário neste momento – e citou o caso da Ambev, que passou a destinar parte de sua atividade para produzir álcool gel, e de empresas do setor de tecelagem, que começaram a fabricar máscaras para atender à demanda.

Ainda antes de Jair Bolsonaro anunciar a revogação do artigo da MP sobre suspensão dos salários por até quatro meses, o presidente da CTB, Adilson Araújo, havia classificado a medida de "surreal". "O efeito para a classe trabalhadora e o povo será mais letal que a Covid-19", afirmou. "Quanto ao riscos, seguem intocáveis."


Pandemia da precarização

Já o presidente da CSB, Antonio Neto, disse que o governo estava apostando na "pandemia da precarização" e classificou a 927 de "MP da perversidade". "A MP promove um festival de ataques que vão do pagamento de férias à revelia, suspensão de exigências em saúde e segurança do trabalho, passando por alterações do contrato de trabalho a critério do empregador", criticou o dirigente.

"Países que sempre foram símbolos do liberalismo econômico e do caricato 'Estado mínimo' estão garantindo uma remuneração decente e justa para que trabalhadores fiquem tranquilos em isolamento em suas casas", lembrou Neto.


Confira íntegra da nota das centrais


Que o Congresso Nacional assuma o protagonismo: devolva a cruel MP 927!



As Centrais Sindicais, reunidas virtualmente nesta segunda feira, afirmam que a Medida Provisória 927, editada pelo Governo Federal, na calada da noite de domingo, 22 de março, é cruel e escandalosa.
Chega a ser surreal pensar que um presidente da República possa agir de maneira tão discriminatória e antissocial, jogando nas costas dos trabalhadores mais fracos e mais pobres todo o ônus desta delicada crise que atravessamos.
A exemplo de medidas adotadas por muitos países também assolados com o coronavírus, agora, mais do que nunca, é a hora do Estado exercer seu papel de regulador, protegendo empregados e empregadores e resguardando a renda e o funcionamento da economia.
Mas, ao invés de comportar-se como um estadista, Jair Bolsonaro edita uma MP macabra que autoriza demissões e o corte unilateral de salários, que não regula a proteção aos trabalhadores em serviços essenciais e que, pior que isso, retira a contaminação por coronavírus como acidente de trabalho, o que é particularmente cruel com estes trabalhadores e os trabalhadores da saúde, além de uma longa lista de maldades. Diante da forte repercussão negativa, especialmente no Congresso Nacional, ele anunciou a revogação do artigo 18 da MP, mas isso não basta.
A MP 927 de Bolsonaro é incapaz de orientar a sociedade, e além de atacar salários, direitos e empregos, tenta passar por cima dos legítimos representantes dos trabalhadores que são os sindicatos e impõe negociações individuais.
Trata-se de mais uma atitude contraproducente, uma vez que, dada nossa longa, consagrada e reconhecida experiência em negociação e em enfrentamento de crises financeiras muito podemos ajudar e faremos o que for necessário pelos trabalhadores brasileiros.
Posto isso, demandamos que o Congresso Nacional devolva imediatamente essa MP 927 ao poder executivo e convoque imediatamente as Centrais Sindicais, as Confederações patronais e órgãos do Estado para produzirmos, de maneira muito célere uma Câmara Nacional de Gestão de Crise para combater a pandemia com medidas justas e sociais garantindo emprego e direitos dos trabalhadores, para enfrentarmos e vencermos a crise.
Proteger os empregos e a renda de todos os trabalhadores é a base para dar as condições e a segurança necessárias para que todos cumpram as medidas de isolamento e cuidados com a saúde. Ampliar as quarentenas, resguardando o trabalho dos setores estratégicos. Cuidar prioritariamente dos mais pobres e vulneráveis é tarefa do Estado e deve contar com o apoio de todos.
É fundamental instituir um Programa Emergencial que contemple:
1) Assegurar fornecimento de água, luz, telefone, tv e internet;
2) Incentivar acordos coletivos que preservem os salários e os empregos durante a pandemia;
3) Criar Fundo de Emergência para, durante a crise, garantir um salário mínimo mensal para desempregados, informais e conexos;
4) Acelerar o processo de concessão de aposentadorias, solucionando imediatamente milhões de processos pendentes;
5) Regularizar os beneficiários do Bolsa Família e do Benefício Prestação Continuada;
6) Criar linhas de crédito e financiamento para os setores obrigados a paralisar suas atividades, com a contrapartida de manutenção do emprego, salário e direitos;
7) Articulação com o Congresso Nacional e todos os governadores, independentemente da filiação política e ideológica.
O movimento sindical estará junto daqueles que querem somar e compartilhar os compromissos de solidariedade com toda a sociedade, em especial com os mais pobres e desprotegidos.

São Paulo, 23 de março de 2020

Sergio Nobre, presidente da CUT (Central única dos Trabalhadores)
Miguel Torres, presidente da Força Sindical
Ricardo Patah, presidente da UGT (União Geral dos Trabalhadores)
Adilson Araújo, presidente da CTB (Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil)
José Calixto Ramos, presidente da NCST (Nova Central de Sindical de Trabalhadores)
Antonio Neto, presidente da CSB (Central de Sindicatos do Brasil)
Edson Carneiro Índio, secretário-geral da Intersindical Central da Classe Trabalhadora
Ubirací Dantas de Oliveira, presidente da CGTB (Central Geral dos Trabalhadores do Brasil) 

Fonte: Rede Brasil Atual | Escrito por: Redação RBA | Imagem: Reprodução

Segunda, 23 Março 2020 13:06

Juízes do trabalho repudiam MP de Bolsonaro

Escrito por
Em nota, a ANAMATRA diz que, na contramão de outros países, governo retira dos trabalhadores condições mínimas para enfrentamento ao coronavírus, para a manutenção de básicas condições de subsistência e saúde
 
 
Na manhã desta segunda-feira a ANAMATRA – Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho – emitiu um parecer público repudiando a Medida Provisória nº 927/2020, publicada pelo governo de Jair Bolsonaro (sem partido) como medida para enfrentar a pandemia do novo coronavírus (Covid-19).

Os juízes afirmam que, na contramão de medidas protetivas do emprego e da renda que vêm sendo adotadas pelos principais países atingidos pela pandemia, a MP nº 927, de forma inoportuna e desastrosa.

"A MP destrói o pouco que resta dos alicerces históricos das relações individuais e coletivas de trabalho, impactando direta e profundamente na subsistência dos trabalhadores, das trabalhadoras e de suas famílias, assim como atinge a sobrevivência de micro, pequenas e médias empresas, com gravíssimas repercussões para a economia e impactos no tecido social", diz trecho do documento.

Os juízes também ressaltam que os poderes constituídos – Executivo, Legislativo e Judiciário - e a sociedade civil são corresponsáveis pela manutenção da ordem constitucional.

"Em momentos como o presente é que mais se devem reafirmar as conquistas e salvaguardas sociais e econômicas inscritas, em prol da dignidade da pessoa humana e do trabalhador e da trabalhadora, do desenvolvimento sócio-econômico e da paz social", finalizam o documento.

Leia a nota da ANAMATRA na íntegra:


A ANAMATRA – Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho -, representativa de quase 4 mil magistrados e magistradas do Trabalho de todo o Brasil, vem a público manifestar seu veemente e absoluto repúdio à Medida Provisória nº 927/2020, que dispõe sobre "medidas trabalhistas" a serem adotadas durante o período da pandemia Covid-19 ("coronavírus").

Na contramão de medidas protetivas do emprego e da renda que vêm sendo adotadas pelos principais países atingidos pela pandemia – alguns deles situados no centro do capitalismo global, como França, Itália, Reino Unido e Estados Unidos-, a MP nº 927, de forma inoportuna e desastrosa, simplesmente destrói o pouco que resta dos alicerces históricos das relações individuais e coletivas de trabalho, impactando direta e profundamente na subsistência dos trabalhadores, das trabalhadoras e de suas famílias, assim como atinge a sobrevivência de micro, pequenas e médias empresas, com gravíssimas repercussões para a economia e impactos no tecido social.Em pleno contexto de tríplice crise - sanitária, econômica e política , a MP nº 927 lança os trabalhadores e as trabalhadoras à própria sorte. Isso acontece ao privilegiar acordos individuais sobre convenções e acordos coletivos de trabalho, violando, também, a Convenção nº 98 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). A medida, outrossim, torna inócua a própria negociação, ao deixar a critério unilateral do empregador a escolha sobre a prorrogação da vigência da norma coletiva. Afirma-se a possibilidade de se prolongar a suspensão do contrato de trabalho por até quatro meses, sem qualquer garantia de fonte de renda ao trabalhador e à trabalhadora, concedendo-lhes apenas um "curso de qualificação", que dificilmente poderão prestar em quarentena, e limitando-se a facultar ao empregador o pagamento de uma ajuda de custo aleatória, desvinculada do valor do salário-mínimo. A norma, outrossim, suprime o direito ao efetivo gozo de férias, porque não garante, a tempo e modo, o adimplemento do 1/3 constitucional. Também como se fosse possível institucionalizar uma "carta em branco" nas relações de trabalho, a referida MP obstaculiza a fiscalização do trabalho, conferindo-lhe natureza meramente "orientadora".Ao apenas pedir o sacrifício individual das pessoas que necessitam do trabalho para viver, a MP nº 927 indica que soluções que impliquem em pactos de solidariedade não serão consideradas, tais como a taxação sobre grandes fortunas, que tem previsão constitucional; a intervenção estatal para redução dos juros bancários, inclusive sobre cartão de crédito, que também tem resguardo constitucional; a isenção de impostos sobre folha de salário e sobre a circulação de bens e serviços, de forma extraordinária, para desonerar o empregador.A Medida Provisória nº 927 retira dos trabalhadores e das trabalhadoras as condições materiais mínimas para o enfrentamento do vírus e para a manutenção de básicas condições de subsistência e de saúde. E, na contramão do que seria esperado neste momento, não promove qualquer desoneração da folha ou concessão tributária – com a exata e única exceção do FGTS, parte integrante do salário. Há omissão, que se converte em silêncio injustificável, quanto à proteção aos trabalhadores e às trabalhadoras informais. É notável a desconsideração sobre a justiça e a progressividade tributárias. Ademais, a forte, e necessária participação estatal, assumindo parte dos salários, não aparece como solução.As inconstitucionalidades da Medida Provisória nº 927 são patentes. A Constituição de 1988 deve ser invocada sobretudo nos momentos de crise, como garantia mínima de que a dignidade dos cidadãos e das cidadãs não será desconsiderada. A Constituição confere à autonomia negocial coletiva, e aos sindicatos, papel importante e indispensável de diálogo social, mesmo, e mais ainda, em momentos extraordinários. Estabelece a irredutibilidade salarial e a garantia do salário-mínimo como direitos humanos. Adota o regime de emprego como sendo o capaz de promover a inclusão social. Insta ao controle de jornada como forma de preservação do meio ambiente laboral, evitando que a exaustão e as possibilidades de auto e de exploração pelo trabalho sejam fatores de adoecimento físico e emocional.A presente crise não pode, em absoluto, justificar a adoção de medidas frontalmente contrárias às garantias fundamentais e aos direitos dos trabalhadores. Impor a aceitação dessas previsões, sob o argumento de que ficarão todos desempregados, não é condizente com a magnitude que se espera do Estado brasileiro. Os poderes constituídos – Executivo, Legislativo e Judiciário - e a sociedade civil são corresponsáveis pela manutenção da ordem constitucional. Em momentos como o presente é que mais se devem reafirmar as conquistas e salvaguardas sociais e econômicas inscritas, em prol da dignidade da pessoa humana e do trabalhador e da trabalhadora, do desenvolvimento sócio-econômico e da paz social.

Brasília, 23/03/2020.

Noemia Porto - Presidente da ANAMATRA


Fonte: CUT Brasil | Escrito por: Redação CUT | Imagem: Divulgação Anamatra

Quarta, 18 Março 2020 12:04

COMUNICADO: SEEF passa a atender remotamente

Escrito por
Circular SEEF nº 001/2020

Florianópolis, 18 de Março de 2020.

 Aos TRABALHADORES

 Companheiros e Companheiras,

 A direção do SEEF, preocupada com a rápida disseminação do coronavírus e seguindo as medidas da Organização Mundial da Saúde (OMS), decidiu tomar algumas medidas de prevenção.

Neste momento emergencial é essencial nos precavermos para zelarmos pela saúde de todos e todas.

Por isso, o SEEF decidiu suspender as atividades presenciais na sede da Entidade a partir desta quinta-feira (19/03), considerando a rápida expansão do vírus, com três casos já confirmados em Florianópolis, e a preocupação em zelar pela saúde dos funcionários e diretores do Sindicato.

Os funcionários trabalharão em casa para encaminhar as demandas possíveis e os diretores liberados estarão disponíveis por telefone e atenderão somente as ações mais urgentes. Iremos acompanhar a situação e posteriormente informaremos o retorno das atividades presenciais.

Neste momento, o importante é cuidarmos da saúde de todos e adotarmos medidas preventivas para evitar o contágio do vírus.

O SEEF orienta que os trabalhadores levem em consideração as instruções da OMS e cancelem qualquer atividade que propiciem aglomeração de pessoas, isso com o objetivo de se proteger e proteger seus familiares.

Vivemos um momento emergencial na saúde mundial e de revolta frente à negligência do governo Bolsonaro para combater a pandemia que se alastra pelo país. Nós temos um papel fundamental neste momento de cobrar dos patrões e dos governos federal, estadual e municipal medidas urgentes de proteção aos trabalhadores e trabalhadoras e de fortalecimento dos serviços públicos, em especial o SUS.

Em caso de necessidade, estraremos à disposição nos seguintes telefones:

· Rogério: 98421 4270 – e-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

· Moacir: 99977 2247 e

· Cilir: 99912 7746.

Certos da compreensão de todo(a)s,

Saudações,

Direção do SEEF
A medida cria um imposto para os desempregados, diminui valores do FGTS e acaba com folgas aos domingos. CUT e centrais estão mobilizadas para barrar votação da MP na missão mista do Congresso Nacional


A comissão mista do Congresso Nacional que analisa a Medida Provisória (MP) nº 905, do Programa Verde e Amarelo do governo de Jair Bolsonaro (sem partido), deve votar nesta terça-feira (10) o relatório do deputado Christino Áureo (PP-RJ), que alterou pontos do texto original, mas manteve os prejuízos aos trabalhadores.

A CUT e demais centrais sindicais, que conseguiram barrar a votação na comissão na semana passada, estão mobilizadas e devem lotar o Congresso Nacional nesta terça para impedir novamente a votação desta MP que flexibiliza contratos de trabalho, libera o trabalho aos domingos, sem adicional, e cria um imposto para os desempregados, entre outras medidas nefastas.

A medida, apresentada com o argumento de que é preciso estimular a geração de empregos para jovens de 18 a 29 anos, por meio da Carteira Verde e Amarela, na verdade aprofunda os efeitos negativos da reforma Trabalhista do ilegítimo Michel Temer (MDB-SP), em vigor desde novembro de 2017. Esses jovens seriam contratados com salários limitados, por no máximo dois anos e receberiam um percentual menor do Fundo de Garantia de Tempo de Serviço quando demitidos sem justa causa.

Em nota técnica, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), afirma que a situação dos jovens no mercado de trabalho precisa de medidas que incluam "oportunidades de trabalho seguro e decente, e boas condições para a formação profissional". Esse não é o caso da MP.

Sérgio Nobre, presidente nacional da CUT, afirma que a MP 905 é "o desmonte de todos os direitos conquistados pela classe trabalhadora durante cem anos". O dirigente ainda diz que a carteira verde e amarela é a legalização do trabalho escravo.

"É um verdadeiro crime de Bolsonaro e do ministro da Economia, Paulo Guedes", diz Sérgio.

O presidente da CUT ainda reforça que o Brasil, ao invés de ataques aos direitos, precisa de empregos de qualidade e bem remunerados para aquecerem a economia fazer o país crescer.

Confira os dez piores itens da MP 905:


1 – Imposto para desempregados

Para financiar os contratos verde e amarelo, que isentam os empresários de vários impostos, o governo propôs cobrar 7,5% sobre o seguro-desemprego. O relator alterou este item e propôs que a cobrança seja opcional e reduziu a alíquota para 5%. Se optar por pagar, os desempregados poderão contabilizar este período na aposentadoria.


2 - Bolsa Patrão

Ao mesmo tempo que trabalhadores serão taxados no seguro-desemprego e terão redução no FGTS, patrões deixarão de pagar 34% em impostos. Ficarão isentos de contribuir para o INSS, não precisarão pagar salário educação, tampouco contribuir para o Sistema S (Sesi, Senai, Senac, Senar, Senat, Sescoop e Sebrae) e para o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).


3 – Ataque ao FGTS do trabalhador

A medida trata o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) como tributo e não como renumeração. O percentual de FGTS destinado ao trabalhador da carteira verde e amarela será de 2% - o dos trabalhadores de carteira azul é de 8%. A multa na rescisão de contrato também será reduzida de 40% para 20%. No fim das contas, a MP 905 vai reduzir ainda mais o ganho dos trabalhadores verde e amarelo que já terão salário limitado a no máximo um salário mínimo e meio (R$ 1.558,50).

Cálculos do Dieese mostram que, em comparação com contratados pela carteira azul, a rescisão seria de aproximadamente R$ 3.000,00 a menos para os contratados pela carteira verde amarela.


4 – 'Fim' do fim de semana

A MP ataca o convívio social e familiar de todos os trabalhadores ao determinar que sábados, domingos e feriados sejam dias normais de trabalho, sem pagamento de adicionais, o que também significa reduzir os ganhos do trabalhador. O domingo deixa de ser o dia semanal de descanso remunerado e as folgas só precisarão cair em um domingo a cada sete semanas. A MP também altera a Lei 605/1949 e libera as empresas de autorização prévia para jornadas aos domingos e feriados.


5 – PLR

O programa Verde Amarelo também regulamenta as condições de prêmios, retirando a participação dos sindicatos da definição das regras de pagamento da Participação dos Lucros e Resultados (PLR), que será condicionada ao desempenho do trabalhador.


6 – Negociado sobre o legislado

O que já havia acontecido na reforma Trabalhista agora é ampliado. O princípio do negociado sobre o legislado vai se sobrepor sobre súmulas trabalhistas e decisões judiciais, ou seja, vai estar acima até mesmo da interpretação das leis trabalhistas e da Justiça do Trabalho. A única exceção é que o negociado sobre o legislado não vai valer para as regras da contratação pela carteira verde e amarela.


7 – Risco de vida aos jovens trabalhadores

A carteira verde-amarela permite a contratação para trabalhos perigosos, ou seja, para funções que eles não estão aptos ou qualificados a desempenharem, o que aumenta os riscos de acidentes de trabalho e coloca a vida desses trabalhadores em risco. Além disso, a MP também diminui o pagamento de adicional de periculosidade de 30% para 5%, já que a regra permite a contratação de um seguro privado. Os trabalhadores terão direito ao adicional de periculosidade apenas se a exposição ao risco atingir mais de 50% da jornada.

De acordo com a análise do Dieese, a medida vai desestimular as empresas a investirem em postos de trabalho mais seguros para não arcar com custo adicional de periculosidade.


8 – Jovens mais velhos

Além de permitir que 25% do total de trabalhadores da empresa sejam contratados por meio da carteira verde e amarela, o relator propôs que MP permita que trabalhadores acima de 55 anos, que estejam desempregados há mais de 12 meses, possam ser contratados pelo programa, com as mesmas regras de supressão de direitos.


9 – Reincidência

A MP permitirá às empresas a contratação consecutiva pela modalidade da carteira verde e amarela desde que o contrato anterior não tenha ultrapassado seis meses de duração. Dessa forma, uma empresa pode contratar um trabalhador, demiti-lo antes de seis meses e contratar novamente pelo programa. Ou seja, quem ganha mais e tem direitos, corre o risco de ser demitido e substituído por um trabalhador com contrato verde e amarelo.


10 – Vista grossa

A medida provisória protege as empresas na medida em que determina que uma multa ou atuação não pode ser aplicada em uma primeira visita. Se um fiscal se deparar com uma situação em que a empresa não cumpre regras e normas de segurança, ele poderá aplicar apenas uma notificação. A autuação só pode ser feita em uma segunda visita que deve ocorrer, no mínimo, 90 dias depois da primeira. Nesse intervalo de tempo, a empresa continua funcionando, ainda sem atender às exigências de segurança e trabalhadores ficam em situação de risco.


Pressão

A votação da MP 905 na Comissão Mista, no dia 4 de março, foi adiada após pressão da CUT e centrais sindicais. Mas ela poderá ser votada e aprovada já nesta terça-feira, dia 10. As entidades representativas dos trabalhadores estarão no Congresso, novamente, para tentar barrar a tramitação da medida.

Fonte: CUT Brasil | Escrito por: Andre Accarini | Imagem: FETEC-CUT-PR



Sexta, 14 Fevereiro 2020 10:19

ASSEMBLEIA GERAL EXTRAORDINÁRIA

Escrito por
O SEEF convoca todos seus associados/as e demais profissionais da categoria dos empregados em edifícios e empregados das empresas de compra, venda, locação e administração de imóveis para ASSEMBLEIA GERAL EXTRAORDINÁRIA.

Serão quatro diferentes locais e datas, buscando facilitar a participação do maior número de trabalhadores/as em toda a base do Sindicato, nas cidades de Florianópolis, São José, Biguaçu e Palhoça.

A assembleia têm caráter permanente e itinerante nos principais locais de trabalho, em horário comercial, desde o dia 17 de fevereiro de 2020, nos municípios designados. As quatro sessões fixas (veja datas e locais abaixo) serão sempre às 19h do dia marcado em primeira convocação e meia hora após em segunda convocação.


LOCAIS E DATAS DAS SESSÕES FIXAS DA ASSEMBLEIA:

  • Palhoça
Dia: 10/03/2020, 19h
Local: Colégio Estadual Governador Ivo Silveira - Av. Barão do Rio Branco, 96, Centro

  • São José
Dia: 12/03/2020, 19h
Local: Colégio Laércio Caldeira de Andrade - Av. Brigadeiro Silva Paes, 561, Campinas

  • Biguaçu
Dia: 17/03/2020, 19h
Local: Colégio Professora Maria da Glória Veríssimo de Farias - Rua João Born, 225, Centro

  • Florianópolis
Dia: 31/03/2020, 19h
Local: auditório da
FECESC - Av. Mauro Ramos, 1.624, Centro


Pauta da ASSEMBLEIA

1 – CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO: discussão e aprovação das normas das Convenções Coletivas de Trabalho (CCTs) a serem firmadas entre o SEEF e os sindicatos patronais, para o período de 2020/2021.

2 – DISSÍDIO COLETIVO: no caso de insucesso na negociação das CCTs, poderes para a diretoria interpor Dissídio Coletivo perante a Justiça do Trabalho, realizar acordos, em juízo ou fora dele.

3 – CONTRIBUIÇÃO NEGOCIAL PROFISSIONAL: Discussão e deliberação sobre contribuição negocial profissional a ser aprovada livre e democraticamente, pelos sócios e trabalhadores não filiados, cumprindo a prerrogativa da Assembleia Geral dos Trabalhadores de estabelecer contribuições conforme art. 513, alínea "e", c/c art. 462 e 545 ambos da CLT e inciso V do art. 8º da Constituição Federal de 1988.
 11 de fevereiro: Dia do Zelador. Saiba mais sobre a data


 Sabe aquele profissional que está sempre disponível para atender a qualquer ordem no que diz respeito à limpeza, organização e conservação do condomínio, escola ou empresa? Pois bem, ele é chamado de zelador. Para evidenciar a importância desse profissional, o dia 11 de fevereiro foi criado para homenageá-lo.

De acordo com a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), os zeladores são os responsáveis pelos serviços de administração de edifícios, ao cuidar da segurança das pessoas e do patrimônio; e ao atender e controlar a movimentação de pedestres e veículos nos prédios.

Junto com o zelador, há toda uma equipe cujo trabalho é melhorar a qualidade do edifício onde você mora, trabalha ou estuda. Por isso, no Dia do Zelador, queremos render nossa homenagem aos zeladores e estendê-la à toda a equipe de trabalhadores em edifício. Parabéns aos trabalhadores e trabalhadoras que dignificam esta profissão!


*Com conteúdo do site Estudo Kids.
Quinta, 06 Fevereiro 2020 10:21

Nota de apoio aos petroleiros em greve

Escrito por
O Sindicato dos Empregados em Edifícios e em Empresas de Compra Venda Locação e Administração de Imóveis de Florianópolis/SC, vem, através desta, explicitar o irrestrito apoio aos trabalhadores e trabalhadoras petroleiros de todo o país que entraram em greve no dia 1º de fevereiro, lutando contra as demissões na Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná (Fafen/Ansa), pelo cumprimento do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), além da retomada das negociações com os sindicatos e fim da implantação de medidas unilaterais e prejudiciais aos trabalhadores. A greve já mostra sua força com a adesão de mais de 30 unidades em 12 estados do país.

O fechamento da Fafen-PR deixou mais de mil trabalhadores sem emprego. Igualmente, a privatização da BR Distribuidora resultou na demissão e precarização do emprego de diversos trabalhadores. É inaceitável que este governo desrespeite desta forma os direitos dos trabalhadores/as e nossa a soberania nacional.

Desde o governo golpista de Temer e agora de forma ainda mais intensa com o atual governo, a Petrobras vem sendo alvo das políticas entreguistas e do ataque aos direitos dos trabalhadores. Os petroleiros, organizados pela Federação Única dos Petroleiros (FUP), sempre estiveram na retaguarda da resistência, lutando em defesa dos seus direitos e contra o desmonte e a privatização da maior estatal do país.

Por isso, O Sindicato dos Empregados em Edifícios e em Empresas de Compra Venda Locação e Administração de Imóveis de Florianópolis/SC, comprometido com a luta da classe trabalhadora e da defesa das nossas riquezas naturais, entende que esse enfrentamento é legítimo e reafirma seu apoio à greve dos petroleiros. Estamos lado a lado aos trabalhadores que bravamente resistem pela garantia de seus direitos, contra a precarização do trabalho e em defesa do nosso país!

Florianópolis, 6 de fevereiro de 2020.

A Direção.
 Cartilha da CUT, CTB, CGTB, CSB, CSP-Conlutas, CTB, Força, Intersindical, Nova Central e UGT explica direitos que trabalhadores vão perder se MP 905 for aprovada. Congresso retoma debate no dia 3/2


As principais centrais sindicais brasileiras lançaram uma cartilha que explica todos os direitos que os trabalhadores e as trabalhadoras podem perder se a Medida Provisória (MP) nº 905/2019, do Programa Verde Amarelo, editada pelo governo de Jair Bolsonaro em 11 de novembro do ano passado, for aprovada pelo Congresso Nacional. O principal argumento do governo para aprovar a MP é a geração de empregos para jovens de 18 a 29 anos.

Na cartilha, as centrais rebatem este e os demais argumentos do governo ressaltando ao menos sete direitos e garantias que a classe trabalhadora perderá se a MP for aprovada:

MP permite contratação sem as garantias da CLT e sem convenção coletiva;a redução do percentual depositado no FGTS de 8% para 2%,a redução da multa sobre o saldo do FGTS de 40% para 20% nos casos de demissão sem justa causa;o parcelamento, em até 12 meses, das férias e do saldo do FGTS;a redução do adicional de periculosidade de 30% para 5%;a isenção da contribuição previdenciária de 20% para os patrões;e ainda deixa de considerar acidentes de trabalho os acidentes que ocorrem no trajeto de casa para o trabalho e vice-versa. Quem se acidentar no percurso perde o direito ao auxílio-doença.

De forma simples e didática, a cartilha elabora pela CUT, CTB, CGTB, CSB, CSP-Conlutas, CTB, Força, Intersindical, Nova Central e UGT explica que os direitos dos trabalhadores correm sérios riscos, contesta os argumentos usados pelo governo de que a MP 905 vai gerar emprego para jovens e afirma que "o governo premia os empresários e penaliza os trabalhadores" com isenção de impostos e legalização de mais trabalho de péssimas condições.

Confira aqui a íntegra da cartilha.


Tramitação da MP

O Congresso retoma as discussões sobre a MP da Carteira Verde e Amarela a partir de dia 3 de fevereiro quando deputados e senadores voltarem do recesso parlamentar. Antes do recesso, eles instalaram uma comissão mista para debater a medida. O presidente da comissão é o senador Sérgio Petecão (PSD-AC) e o relator é o deputado Christino Áureo (PP-RJ).

Como a validade de uma MP é de 120 dias, de acordo com a Constituição, eles têm até o dia 10 de março para aprovar o retrocesso ou impedir mais um ataque à classe trabalhadora. Caso não votem, a medida perde a validade.

"A organização, mobilização e pressão dos trabalhadores organizados em seus sindicatos é fundamental para impedirmos a aprovação de mais esta medida deste governo contra a classe trabalhadora", diz a técnica da subseção da CUT do Dieese, Adriana Marcolino. Por isso, complementa, a cartilha é fundamental para todos entenderam o que está em jogo.

"Não podemos esquecer", alerta Adriana, "que a MP não enfrenta o problema do mercado de trabalho – faltam quantidade e qualidade dos empregos gerados – e amplia o trabalho precário".

O economista Adhemar Mineiro, do Dieese, concorda com a avaliação e acrescenta que a MP 905 cria uma possibilidade de substituição de até 20% dos atuais empregados, com direitos regulamentados, por novos funcionários, com direitos reduzidos. "Pode aumentar a demissões".

O que é uma Medida Provisória

Pela lei, uma MP é um instrumento com força de lei, adotado pelo presidente da República, em casos de relevância e urgência. Produz efeitos imediatos, mas depende de aprovação do Congresso Nacional para transformação definitiva em lei.

O prazo de vigência de uma MP é de sessenta dias, prorrogáveis uma vez por igual período. Se não for aprovada no prazo de 45 dias, contados da sua publicação, a MP tranca a pauta de votações da Casa em que se encontrar (Câmara ou Senado) até que seja votada. Neste caso, a Câmara só pode votar alguns tipos de proposição em sessão extraordinária.

Ao chegar ao Congresso Nacional, é criada uma comissão mista, formada por deputados e senadores, para aprovar um parecer sobre a Medida Provisória. Depois, o texto segue para o Plenário da Câmara e, em seguida, para o Plenário do Senado.

Se a Câmara ou o Senado rejeitar a MP ou se ela perder a eficácia, os parlamentares têm que editar um decreto legislativo para disciplinar os efeitos jurídicos gerados durante sua vigência.

Se o conteúdo de uma Medida Provisória for alterado, ela passa a tramitar como projeto de lei de conversão.

Depois de aprovada na Câmara e no Senado, a Medida Provisória - ou o projeto de lei de conversão - é enviada à Presidência da República para sanção. O presidente tem a prerrogativa de vetar o texto parcial ou integralmente, caso discorde de eventuais alterações feitas no Congresso.

É vedada a reedição, na mesma sessão legislativa, de MP que tenha sido rejeitada ou que tenha perdido sua eficácia por decurso de prazo.

As normas sobre edição de Medida Provisória estão no artigo 62 da Constituição Federal.

Fonte: CUT Brasil | Escrito por: Marize Muniz | Imagem: Alex Capuano
Escalada de ofensas e constrangimentos por parte do governo causam fenômeno coletivo no funcionalismo

 Servidores públicos federais enfrentam uma onda de adoecimentos psicológicos frente a determinadas declarações e ações do governo federal. Diferentemente do assédio moral, o chamado assédio institucional não está direcionado a indivíduos ou pequenos grupos e já passa a ser alvo de estudo e análise por parte de especialistas em saúde do trabalho, juristas e representantes das categorias.

O comportamento parte do estado como organização, na figura de seus representantes, inclusive os eleitos. O problema acontece nas relações institucionais das organizações e extrapola a dimensão individual e laboral. Ou seja, o assédio não tem como vítima um trabalhador específico, mas se traduz na desvalorização completa de todo o trabalho dos servidores públicos.

"Tem a ver com o constrangimento público que, por exemplo, está em curso na relação entre o Ministério da Economia, representado pelo ministro Paulo Guedes e uma organização como o IBGE, que tem uma vinculação institucional com o Ministério" afirma José Celso Cardoso Junior, da Associação dos Funcionários do Ipea - Afipea.

"Obviamente que tem uma hierarquia, mas isso não autoriza o ministro a desqualificar o trabalho técnico realizado por esse órgão. O próprio ministro da economia e o presidente da república desqualificam, por meio de declarações e entrevistas, os resultados de pesquisas tecnicamente amparadas e internacionalmente reconhecidas. É um assédio de caráter coletivo." completa.

A Afipea vêm se dedicando a estudar e questionar as diretrizes e os impactos das propostas de reforma do estado. Já há publicações disponíveis nesse sentido, como os livros Desmonte do Estado e Subdesenvolvimento – riscos e desafios para as organizações as políticas públicas federais" e Mitos Liberais Acerca do Estado Brasileiro e Bases para um Serviço Público de Qualidade.

José Celso faz parte do grupo que reúne outros estudiosos, além de juristas e representantes de categorias profissionais, para analisar o fenômeno do assédio institucional. Os resultados dessas análises estarão em um livro a ser publicado em março, com o título Erosão de Direitos: reformas neoliberais e assédio institucional.

José Celso afirma que a realidade não é pontual e se espalha pelos órgãos públicos.

"Existem dois níveis do problema. O assédio institucional organizacional acontece quando o governo desqualifica um órgão público, a exemplo do que tem acontecido com Ibama, Instituto Chico Mendes, Funai, Capes, CNPQ e muitos outros. O segundo nível é derivado desse, e envolve os próprios servidores, que estão sendo diretamente constrangidos no desempenho de suas funções. Um exemplo: o Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (Inpe), responsável por produzir estatísticas de desmatamento, foi desautorizado a continuar produzindo o dado e os servidores foram constrangidos, chamados de subversivos, entre outros termos."

José Celso ressalta também que a perversidade desse tipo de assédio é diferente do que é registrado na iniciativa privada

"Você já viu uma organização privada ir a público para falar mal de suas empresas, afiliadas ou de todo o conjunto de seus funcionários? É um caso muito grave porque não só coloca em risco a existência dessas organizações, dessas práticas consolidadas e dessas políticas públicas, como coloca em dúvida a própria idoneidade do servidor."


Ofensas históricas na gestão Bolsonaro

No caso do governo de Jair Bolsonaro, o comportamento que tem como alvo os servidores é observado desde antes da eleição do capitão reformado.

Ainda durante a campanha, ele chamou o serviço público de " fábrica de marajás" e se referiu ao funcionalismo como "o grande problema da Previdência no Brasil". O então candidato afirmou diversas vezes que iria privatizar ou extinguir estatais que, nas palavras dele, dão prejuízo.

Na lista de empresas que o governo pretende desestatizar, no entanto, estão estatais que registram lucro. Os Correios, por exemplo, fecharam 2018 com lucro líquido de R$ 161 milhões.

No mesmo ano, o Serpro - responsável pelos dados digitais de todos os brasileiros - teve lucro de R$ 459,70 milhões, um aumento de 273,41% em comparação a 2017. O resultado positivo da Dataprev subiu mais de 10% no período.

Além de estarem na lista de órgãos públicos que devem ser privatizados, essas e outras empresas compartilham de um número crescente de servidores com relatos que remetem às consequências do assédio institucional. O Brasil de Fato ouviu histórias dessas pessoas e conversou com representantes dos trabalhadores. Os relatos mostram uma situação generalizada e que se agrava diariamente.


Correios

No fim de 2019 o governo deu mais um passo para a privatização da Empresa de Correios e Telégrafos (ECT) e autorizou a contratação de estudos e pareceres para avaliação do processo.

A venda da ECT é considerada uma das mais polêmicas e complexas da lista de desestatização do governo. Isso porque 100% dos municípios brasileiros são atendidos pela empresa.

Além do risco de que parte dessas cidades fiquem desassistidas por serem consideradas pouco lucrativas, a privatização pode causar a demissão de 40 mil trabalhadores dos Correios.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios de SP e vice da Federação Interestadual (Findect), Elias Cesário, afirma que existe um processo de piora das condições de trabalho que atinge diretamente a saúde mental dos funcionários.

A percepção é de que há a intenção de que o desgaste dos servidores seja mais um incentivo à privatização.

"Qual é o jogo da empresa e do governo? Ele quer que o próprio trabalhador comece a falar mal da empresa. Eles estão fazendo com que tudo de ruim aconteça ao trabalhador, sucateando, fora a questão de convênio médico e de salário. Eles querem que o próprio funcionário, de dentro para fora, fale mal da empresa para a população para gerar descrédito e acabar com a empresa. É um plano estratégico e maldoso".

O relato de Cesário se traduz em casos com o de Antônio da Silveira, carteiro há vinte anos. Ele foi assaltado e agredido durante o trabalho e não foi retirado da área em que a violência aconteceu. Antônio relata que não recebeu apoio de seus superiores. Segundo ele, o clima de incerteza é geral entre os trabalhadores.

"Eles têm colocado a gente para cobrir o buraco de outras unidades. É aí onde entra essa questão do nosso psicológico. Mandam a gente para lugares que a gente não conhece, não conhece o setor, não conhece o sistema de trabalho e ainda nos falam 'Se você não está satisfeito, meu colega, as portas estão abertas'".


Casa da Moeda

Responsável por toda a produção de moeda corrente do Brasil, assim como dos passaportes e dos selos de controle dos cigarros, por exemplo, a Casa da Moeda existe desde 1694. A inclusão da casa da instituição na lista de privatizações preocupa, porque em quase todas as grandes economias do mundo as casas da moeda são órgãos estatais.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Moedeiros, Aluízio Júnior, o trabalhador do órgão sempre sofreu pressão por trabalhar com a produção de um bem tão sensível e essencial. Por conta disso, a Casa da Moeda conta com um serviço social que realiza acompanhamento dos trabalhadores.

O dirigente sindical relata, no entanto, que desde 2017 os trabalhadores sofrem pressão para aderir a planos de demissão voluntária e são ameaçados pela perda do emprego e de direitos.

"Por uma política de governo, começou-se a desmontar as estruturas da Casa da Moeda, que vinha dando muito certo e produzindo muito lucro para poder, num segundo momento, justificar a privatização. Os trabalhadores sofreram muito com isso, porque você viveu um momento de prosperidade, depois um momento de desmonte. A lógica da política do governo é enxergar no trabalhador o grande culpado disso e houve um ataque direto. A questão psicológica dos trabalhadores foi muito abalada."


Ibama e Instituto Chico Mendes

Responsáveis pela execução da Política Nacional do Meio Ambiente, pela fiscalização, licenciamento ambiental e por programas de pesquisa, proteção, preservação e conservação da biodiversidade e das Unidades de Conservação federais, Ibama e Instituto Chico Mendes são alvos frequentes do próprio Jair Bolsonaro.

Uma das últimas ameaça do presidente veio em reclamação ao andamento do processo de licenciamento ambiental para uma loja da rede Havan em Rio Grande (RS). Bolsonaro é amigo do dono da rede, Luciano Hang, e considerou que a autorização estava demorando para ser finalizada.

A pressão aos servidores veio com uma lembrança dos tempos da ditadura militar que é recorrente no discurso do presidente. "O presidente têm mandato, porque se não tivessem, eu cortava a cabeça mesmo. Quem quer atrapalhar o progresso vai atrapalhar na ponta da praia, aqui não."

Por "ponta da praia" Bolsonaro ser refere à Base da Marinha do Brasil na Restinga de Marambaia/RJ, para onde eram encaminhados opositores da ditadura militar. Um local de onde normalmente não se saia vivo.

A Associação dos Servidores Ambientais Federais, Ascema Nacional, denunciou a fala a autoridades no Brasil e em Fóruns Internacionais, com o intuito principalmente de proteger a integridade física dos servidores.

A Secretária Executiva da Ascema Nacional, Elisabeth Uema, afirma que mesmo com atuação da Associação, a pressão sobre os servidores têm causado muitos prejuízos.

"Na área ambiental há uma grande pressão em cima dos servidores, apesar de ela ser ainda uma área em que as pessoas são muito apaixonadas pelo que fazem. Isso nós também estamos perdendo porque as pessoas estão cada vez mais desesperançadas. É muito difícil, principalmente para os trabalhadores que estão na ponta atuarem. Tem cada vez menos gente e com toda uma pressão partindo inclusive de quem deveria estar no apoiando, que são os dirigentes."


Infraero

Em 2020 o governo pretende realizar o leilão de 22 aeroportos e até 2022 todos as estruturas do país devem passar para a iniciativa privada. Apesar das afirmações de que a Infraero não será privatizada, os leilões dos aeroportos certamente representarão mudanças substanciais no órgão.

Muitos desses aeroportos receberam investimentos milionários para reformas, e segundo o Diretor Administrativo da Associação Nacional dos Empregadores da Infraero, Alex Fabiano Viana, estão sendo vendidos a preços que significam prejuízo ao dinheiro público frente ao que foi gasto.

"Como explicar para o trabalhador, que veste a camisa e está ali mantendo o país ligado pelos aeroporto dioturnamente? Porque nós trabalhamos com escala, como você explica determinadas coisas? Não tem como explicar. Quando não existe uma explicação, existe o autoritarismo, a ditadura. É por isso que muitos trabalhadores estão adoecendo. Além dessa iminente possibilidade de demissão em massa."


Rolo compressor e destruição do estado

O pesquisador José Celso Cardoso Junior avalia que a série de ofensas aos servidores, o constrangimento público e a desmoralização das instituições fazem parte da construção de um discurso que tem objetivo definido: destruir a imagem do funcionalismo, abusando de elementos que questionam a competência e a utilidade desses trabalhadores.

"Tudo isso está sendo usado como argumento do governo para justificar uma reforma administrativa que vai acabar com as relações entre estado e sociedade. Vai destruir o estado."

Segundo o pesquisador, o medo também toma conta da categoria. Diante das ameaças de retaliação, uma censura indireta se espalha pelos órgãos públicos

"As pessoas estão se sentindo desmotivadas para o trabalho, com medo do ambiente de trabalho, porque não podem falar nada fora do script do atual governo, porque logo são identificadas como alguém que precisa ser eliminado."

José Celso descreve um cenário cada vez mais recorrente e assustador. "A sensação é de que estamos vivendo uma guerra dentro do aparelho do estado em que o objetivo não é conduzir um processo de reorientação estratégica, é um projeto de destruição. Por isso que a gente chama esse governo de fascista, porque o objetivo dele é eliminar o outro. Não é conviver com o outro, é eliminar o outro. Isso está acontecendo dentro da estrutura de estado"

Fonte: Brasil de Fato | Escrito por: Nara Lacerda | Edição: Leandro Melito | Foto: Fotos Públicas
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